Audiência/Reunião com o Prefeito Delci Dimer, 6 de Abril 2026

Texto de Gustavo Graminho.

Relato da reunião com a Prefeitura de Torres sobre a revitalização do Museu de Torres no dia 06 de Fevereiro de 2026.

Participantes:
Prefeito Delci Dimer- Secretário Interino de Cultura: Gabriel de Mello- Chefe de Gabinete da Prefeitura: Maria Seloy- Representante da Presidência da República: Sandro Coelho- Ativistas: Tommaso Mottironi e Gustavo Graminho

A intenção do encontro foi restabelecer o diálogo do poder público com a sociedade civil.

  • Gustavo Graminho abriu o encontro com a apresentação de uma proposta de entendimento entre o poder público e a municipalidade: criar um Grupo de Trabalho com todos os entes da federação que têm responsabilidade na revitalização do Museu.
  • Tommaso falou sobre a ação movida pelo Ministério Público contra a prefeitura pela desídia na situação do Museu. Abordou questões técnicas relativas ao Museu, disse que o projeto pré elaborado pela prefeitura não contempla as necessidades exigidas pelo IPHAN.
  • Sandro Coelho, representante da Presidência da República, colocou o Governo Federal à disposição para ajudar na solução do problema.
  • O prefeito Delci aceitou a proposta do Grupo de Trabalho e delegou a Maria Seloyi e o Secretário Interino de Cultura a tarefa de dar andamento ao debate, conforme os acertos feitos na reunião.
  • O Secretário de Cultura foi chamado no gabinete do prefeito.
  • O plano de trabalho foi apresentado ao Secretário. De pronto, aceitou a ideia e agendou uma reunião técnica do Grupo de Trabalho para o dia 15 de Maio.
  • Foi conversado também com o Procurador Geral do Município para saber como será a resposta para a ação do Ministério Público. O procurador se comprometeu em participar do Grupo do Trabalho e disse que os apontamentos da reunião serão apresentados para o MP, na resposta judiciária.
  • Ficou agendado para o dia 15 de Maio, na Prefeitura de Torres, uma reunião de planejamento para a solução do Museu. Até lá, a ideia é pensar quem está faltando no GT. O Secretário fará as convocações.
  • Reitero que o Prefeito gostou muito da ideia de criar um Grupo de Trabalho com a Sociedade Civil, Governos, Judiciário e Movimentos Sociais para a solução do Museu.

Texto de Tommaso Mottironi

Ontem se realizou uma reunião no gabinete do prefeito, na pauta o Museu, que foi promovida pelos representantes de uma deputada federal (Maria do Rosário – PT) que está enviando uma verba de 370mil reais de emenda para esta finalidade.

Fui convidado a participar, não sabendo se haveria mais membros da sociedade civil, pelos representantes políticos que originaram esse pedido de emenda, um convite feito pela minha forte ligação com o espaço e experiência profissional pregressa.
Para além da minha formação, já fiz projeto de registros fotográficos com câmera 360 graus de parte do edifício, com o Cineclube fizemos programação continuada até que deu, e depois, não é mistério para ninguém, abri a notícia de fato no MP e mantive viva perante várias tentativas de despistagens e arquivamentos; NF que hoje tramita hoje como ação civil pública no Tribunal de Justiça. Last but not least, sou membro do CEHTR, com orgulho.

A reunião foi ótima, dentro das expectativas que tinha, pois abre um potencial caminho de diálogo para que as ações do museu tenham uma participação da sociedade civil nesse importante momento de projeto e planejamento das ações.
A reunião teve dois momentos, começou com a agenda com o prefeito, que claro, não podia deixar de mostrar o empenho para uma efetiva solução para o Museu (devido também a urgência processual).

O mais importante talvez foi a abertura para que o grupo de trabalho, que já foi montado com representantes políticos, representantes do ministério da cultura, do IBRAM, e de especialistas da sociedade civil (museologia, história, patrimônio, arquitetura), possa participar ativamente do processo. Espero não se resuma ao simples conhecimento das ações empreendidas pelo governo, mas sim uma atividade de produção, assessoramento e contraponto (sempre que necessário).

Existe de fato a oferta, proposta pelo grupo político que originou a emenda, de poder fornecer um projeto para imóvel, mais qualificado do que seria originado dos serviços da municipalidade, através de um consórcio que opera nesse âmbito.
Nesse intuito seria interessante conhecer o que foi feito em três cachoeiras, pelo mesmo consórcio, em uma conjuntura análoga, reforma de espaço museal.

Então se esta abertura contemplar efetivamente a construção e interlocução na execução do planejamento e de projetos para o Museu, me parece um grande avanço na questão.

A minha participação foi de indicar por lado a complexidade de um projeto arquitetônico num espaço urbano protegido (poligonal da Matriz), com características estilísticas e históricas relevantes, um espaço simbólico por ter sido paço municipal, mais a necessidade da integração do programa arquitetônico com o projeto de musealizacao.
Nesse sentido sublinhei a importância desde já de um acompanhamento de profissionais da museologia, que efetivamente deveriam ter permanecido para garantir a salvaguarda do acervo, hoje devassado.
Acrescentei ainda a urgência de regularizar o sistema municipal de cultura, que a meu ver pode ser feito de forma relativamente simplificada inicialmente, isso para poder concorrer, para o Museu mas com possíveis outros benefícios, a verbas de editais federais e federais para complementar verbas de emendas da PNAB, já destinadas.

Num segundo momento, após a saída do Delci, a reunião continuou com a vinda do secretário Gabriel (que acumula as funções de secretário da cultura e do esporte). Também demonstrou abertura e conseguiu repassar algumas informações, que já deveriam estar circulando, pois envolvem participação popular, o conselho de cultura.

Pelas informações passadas já foi apresentado e aprovado por unanimidade pelo Conselho de Cultura, um anteprojeto de um “Centro Cultural Municipal”. Nas palavras do secretário, inexiste tombamento do local como Museu, e isso justifica, no entendimento dele, a implementação da ideia do espaço multiuso (que eu apelido de 3 em 1).
Questionado por mim, o Gabriel falou que ainda não foi apresentado para o Comphac (que para mim deveria ser a instância principal) por não ter havido ainda reunião do órgão.

Não foi levado para reunião o projeto, por isso não sei dizer em quanto difere do fraquíssimo projeto apresentado anos atrás em audiência pública da PNAB. Não sei portanto se mantém os problemas graves do projeto daquela época, alguns impedindo até a abertura da apreciação junto ao IPHAE.

Na interlocução, quando mencionei a alteração da cobertura do edifício, algo importante quando se trata de entorno do patrimônio tombado, o Secretário falou que como o telhado foi reformado em 2008/9 não haveria impedimento para sua modificação. É um sinal de alerta, pois demonstra um equívoco no entendimento da preservação histórica de edifícios (só para fazer um exemplo homologo, templos japoneses em madeira, com mais de mil anos, recebem periodicamente a troca de elementos estruturais e de acabamento, sem perder suas características patrimoniais).

O secretário sinalizou também que em breve a prefeitura vai ter à disposição o imóvel na Av. José Bonifácio, que foi sede da UCS, onde realizamos o Fórum de Cultura Independente, para os remanescentes acervos do Museu e Biblioteca, uma potencial sede provisória da Biblioteca, nem que seja com acesso parcial.

Resumindo, alguns sinais positivos, mas também alguns sinais de alerta, por isso precisamos de manter a sociedade civil sempre informada de todas as movimentações, para ter algum controle na condução do processo e atingir o objetivo que é a reabertura do museu em um espaço corretamente recuperado e requalificado.

Foto da formalização da emenda para o Museu Histórico de Torres

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